Personal

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Recapitulando Novembro, Dezembro & Janeiro

Os últimos meses têm sido um turbilhão de emoções e experiências - vir de Erasmus, adaptar-me a tudo o que isso acarreta e lidar com bagagem emocional que vinha de um semestre mal sucedido. Com tudo isto, o blog foi deixado naturalmente um pouco para segundo plano. Apesar de ter tido tempo de o atualizar e conteúdo para o fazer - afinal de contas, estar de Erasmus gera imenso conteúdo mesmo que este não seja intencional -, não sentia vontade de me sentar e escrever e achei o melhor seria deixar o blog em banho maria para, quando estivesse pronta, retomar em força. Esse momento chegou e, com ele, vem um olhar pelos meses que perderam do meu dia-a-dia mas do qual, se me seguem no INSTAGRAM, tiveram um sneak peek.


O mês do meu aniversário, Novembro, revelou-se um mês calmo. Ao contrário do anterior, que tinha sido passado em viagem, foi um mês passado maioritariamente por Milão, a conhecer todos os cantos e a apaixonar-me pela cidade que me acolheu de braços abertos desde o primeiro momento - não fosse ela uma cidade bem internacional. Em breve trago-vos um guia completo pela cidade, que não inclua apenas o Duomo e as Galerias Vittorio Emanuele II que, apesar de muito bonitas, não são as únicas atrações da cidade mais citadina de Itália. O contraste entre o urbano e o citadino é muito nítido nesta cidade e faz com que muitos dos que por aqui passem não a valorizem tanto como deviam. No entanto, tem muitos segredos que poucos conhecem e que a tornam uma cidade tão italiana como Roma ou Florença, apesar de em tons menos alaranjados.


Este mês trouxe também a visita de amigos, o que incentivou tanto a conhecer ainda melhor a minha cidade como a visitar outras. Foi assim que rumei a Bérgamo, uma pequena cidade que prometia um passeio diário muito agradável. Esta revelou-se muito melhor do que aquilo que esperava e sem dúvida que se tornou uma das minhas cidades italianas favoritas, de entre aquelas que visitei, pela simplicidade das ruas, pelas vistas do cimo da montanha sobre a cidade - já sabem, adoro uma boa vista! - e pela catedral incrível que lá podemos encontrar, que é comparável com as das mais conhecidas igrejas de Roma.


Dezembro foi o mês da maior aventura de todo o meu Erasmus! A ideia de passar o Natal em Itália tinha surgido muito antes de vir de para cá e, felizmente, consegui colocá-la em prática. Quem me conhece sabe que adoro o Natal e, portanto, valorizo muito esta festividade junto da minha família com tudo o que isto implica - a espera ansiosa pela meia noite, a troca de prendas animada em que eu desempenho religiosamente a função de Pai Natal todos os anos, a comida sem fim ou os filmes de animação aninhados entre as mantas no sofá. No entanto, achei que esta seria a oportunidade perfeita de conhecer os costumes italianos no seu nível mais profundo, numa festividade bastante religiosa - todos sabemos que os italianos são dos povos mais religiosos - e com costumes tão vincados e característicos de cada país onde é celebrada.

Os meus colegas de casa prontamente me receberam nas suas casas e, assim, matei dois coelhos de uma cajadada só: passei um Natal muito diferente e fiquei a conhecer a sua região, no Lago di Como. Passei a véspera de dia 25 em Bellagio, a apreciar a beleza de uma vila bem silenciosa durante os meses mais frios e em especial nesta data especial. Quanto ao dia de Natal, foi passado entre comida - muita, muita, muita, parecia não ter fim -, tentativas de comunicação em italiano falhadas e o quentinho no coração de ter sido tão bem recebida numa data tão especial para qualquer família.


Mas este mês não se resume apenas ao Natal, pelo menos não para mim. No início do mês rumei a Lyon, onde passei 3 dias inesquecíveis e presenciei o conhecido Fête des Lumières, o festival de luzes que ocorre anualmente e chama milhares de pessoas a esta cidade francesa. Tive a visita surpresa do meu pai, que ajudou a matar algumas das muitas saudades que sentia da minha família. Percorri todos os mercados de Natal que consegui - quase que estabeleci um recorde! - e cobicei todas as pistas de gelo pelas quais passei - mas não, não foi este ano que me estreei nas mesmas. Já depois do Natal, recebi a visita de grandes amigas e, juntas, passámos o Ano Novo em Milão. Apesar de ter sido bastante animado pela companhia, não posso dizer o mesmo da cidade. Sem quaisquer preparativos, deixou a desejar no que toca a festa de fim-de-ano e não recomendo, de todo, que seja escolhida como destino para esta data que, de certa forma, marca a maneira como abrimos um novo capítulo.


Janeiro foi um mês lento e o mais calmo dos meses que por cá passei. Apesar de ser o mês dos recomeços, sinto que acaba por ser sempre a meio gás porque as pessoas ainda estão a pensar nas festividades que viveram no mês anterior, a ressacar de toda a comida, bebida e conversas com os amigos e família e, aos poucos, a tornarem às suas rotinas. No entanto, começou embalado pelo mês anterior. Reservou para si duas cidades italianas novas que me encantaram, sem qualquer questão - Bologna e Ferrara. Cidades tijolo pelas suas cores alaranjadas, trazem algo que até então não tinha vivido em qualquer umas das cidades que já tinha visitado e mostram a diferença entre as regiões italianas.


Semelhante àquilo que iria acontecer em Portugal, foi o mês em que me dediquei ao estudo para os exames, que chegaram para enfrentar os últimos neurónios vivos na minha cabeça - e que, por pouco, sobreviveram esta batalha! Além disso, e por ser um mês mais calmo, achei que este seria o mês ideal para conhecer todos os espaços de restauração que até então queria ter visitado por Milão mas que acabava sempre por adiar, ou por outras prioridades, outras viagens ou falta de tempo. Experimentei bebidas diferentes como o bubble tea - que, sendo honesta, não consegui gostar - e os matcha latte - que, apesar de não ser a primeira vez que experimentei, foi a primeira vez que gostei efetivamente da bebida -, bebi cappucinos dia sim dia não para abastecer da minha bebida favorita italiana e experimentei diferentes tipos de pasta, de pizza e de doçarias tipicamente italianas. 


O que me reserva o mês de Fevereiro, perguntam vocês? O mês de Fevereiro traz com ele o regresso ao meu país, à cidade que me acolheu como sua e às rotinas do costume mas das quais já tenho algumas saudades. Traz um forte desejo em recomeçar a escrever mais regularmente aqui pelo blog e de me dedicar a cem por cento tanto à faculdade, que não tem corrido da melhor forma, como ao My Own Anatomy, de forma a crescermos cada vez mais e nos tornarmos cada vez mais um projeto sério mas sempre com um cunho bem pessoal, como já estamos habituados. Sinto que este mês é que é o primeiro mês do ano, o ano de pôr em prática todas as resoluções e lutar para atingir os objetivos traçados.

E vocês? Entusiasmados para os meses que se avizinham?

Recapitulando Novembro, Dezembro & Janeiro

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A primeira vez que fui à Ópera

A minha bucket list para Erasmus está em constante crescimento à medida que surgem novas oportunidades, novas ideias e que o espírito aventureiro dentro de mim cresce sem fronteiras. Mas existe algo que esteve desde o primeiro momento na minha lista e que sabia que tinha que acontecer, desse por onde desse, e isso finalmente aconteceu. O título da publicação é bastante explícito - fui, pela primeira vez, assistir a uma ópera.

Se já tiveram curiosidade em ler a página sobre mim, sabem que eu sou uma eterna apaixonada pelas artes performativas, sendo elas de qualquer forma. Sendo a ópera uma arte tão caracteristicamente italiana, fazia todo sentido assistir à mesma na cidade que me acolherá durante 6 meses da minha vida. O problema que se avizinhava eram os bilhetes uma vez que, por ser um tipo de espetáculo com uma procura muito elevada, os preços disparam até quantias astronómicas. Como sabia disto, procurei por um teatro mais simples e por uma ópera menos conhecida e estava pronta para dar 50 euros pelos bilhetes quando recebo a mais agradável surpresa - a Erasmus Students Network convidava todos os alunos a juntarem-se a eles para assistir a La Finta Giardiniera no emblemático Teatro alla Scala por apenas 12 euros.

O Teatro alla Scala é o teatro de ópera principal de Milão e também o mais emblemático, constituindo uma das principais atrações turísticas da cidade. O seu interior é de cortar a respiração, com uma sala de espetáculos enorme e de uma beleza incomparável, uma acústica incrível e trabalhada de uma forma sublime. Não consigo descrever o que senti quando entrei no último andar com lugares para a ópera e olhei para toda a sala no seu esplendor. As luzes todas acesas, as pessoas a encaminharem-se para os seus lugares com o seu ar emproado, vestidas a rigor para um espetáculo que criara muitas expectativas no coração de todos.


A ópera que estava prestes a assistir foi composta por o conhecido compositor Wolfgang Amadeus Mozart e narra a história de um casal apaixonado que, no início, é separado por uma acção impulsiva de um deles mas que, pelas circunstâncias da vida, vê o seu destino a cruzar-se novamente. Conseguimos, assim, acompanhar o desenvolvimento da romântica história destas personagens, em paralelo com as personagens secundárias de toda a trama. No entanto, e tal como é característico de uma história lírica, todo o enredo é cantado de forma exagerada, dramatizada e com um impacto fortemente acentuado, acompanhado por uma orquestra ao vivo que dá vida às partituras clássicas, também elas dramáticas e que guiam a intenção da ação da personagem.

A experiência é de outro mundo. Apesar dos contratempos que apanhei nesta ida à ópera - a soprano principal estava doente e, portanto, foi substituída por outra voz, compreendendo-se perfeitamente que a atriz em palco estava a fazer playback durante a sua atuação -, e dos lugares em que fiquei não serem os melhores - ficando nos lugares mais acima e mais atrás, pelo preço reduzido, acabei por passar grande parte do espetáculo de pé para conseguir ver todas as dinâmicas que desenrolavam em palco -, foi incrível ouvir o primeiro soar dos instrumentos musicais, a primeira canção, o primeiro tenor a cantar em plenos pulmões para uma plateia que, no fim de cada ação, aplaudia fervorosamente e sentir os arrepios que me corriam pela espinha de cada vez que uma nota mais aguda era alcançada sem o menor esforço.

A duração da mesma foram 4 horas, tendo um intervalo a meio de 30 minutos, tornando-se menos cansativo. Os figurinos estavam conseguidos na perfeição e os cenários eram do mais realista que já vi - até as janelas abriam nas paredes. De realçar que, no final da ópera, o cenário acaba completamente destruído, o que exige uma constante manutenção do mesmo, tornando-o ainda mais especial. A movimentação em palco e a expressividade teatral dos atores que deram vida às 7 personagens em palco também deve ser elogiada, destacando Serpetta, a criada espevitada, que mostrava uma energia acima da média em palco - talvez pela personagem pouco convencional. E, apesar de não entender a maior parte da história em si ao longo da ópera, é impossível não nos deixarmos emocionar pela beleza que é esta arte e pela oportunidade que temos em poder presenciá-la. Se alguma vez tiverem essa oportunidade, vão à ópera. Não se irão, com certeza, arrepender.

Já alguma vez assistiram a uma ópera? Têm curiosidade?

A primeira vez que fui à Ópera

quinta-feira, 22 de março de 2018

O medo de falar em público

Deparei-me no mês de Janeiro com uma situação que me deixou fora da minha zona de conforto e achei que já era mais do que tempo de falar convosco sobre a mesma, que se baseia nada mais nada menos do que no meu medo de falar em público.

Aquilo que vocês provavelmente estão a pensar agora será "Então mas como podes ter medo de falar em público se adoras teatro e te auto-proclamas como atriz?". Pois bem, aqui é que começa a parte descabida da situação. Enquanto outra personagem, não há qualquer problema em falar em público. Claro que fico sempre nervosa, com um frio na barriga e uma adrenalina a percorrer-me da ponta dos cabelos aos pés. Mas falo coerentemente - se a personagem assim o exigir - e sem qualquer problema, até porque tenho um texto completamente trabalhado e preparado para o momento. Agora quando é alguma apresentação de trabalho universitário ou alguma situação em que tenho que me expor enquanto Marli Neves, enquanto eu mesma, aí está o verdadeiro problema.


Não sei de onde vem esta dificuldade de me expressar em público. Sou trapalhona nas palavras desde que me conheço, gaguejo ligeiramente e como letras como quem respira. Falo rápido, expressivamente e sou uma bola de energia porque mexo-me imenso a falar. Além disso, tenho um sotaque que não é nem de Viseu nem de qualquer outro lado - é uma mistura de nacionalidades, expressões e formas de falar. Além disso, o meu cérebro parece um pouco desconectado da minha voz porque, apesar de pensar nas coisas de forma estruturada, quando chega a hora de as dizer sai tudo de trás para a frente e com cortes informativos que não me permitem ter o melhor poder de argumentação.

Este é um receio que me assombra desde criança e que, com o tempo, se tem vindo a intensificar. Desde mais nova que sempre tive imensas dificuldades em lembrar-me de determinadas coisas - efeito memória de Dory - e, aquando as minhas apresentações na escola, ficava extremamente nervosa com o facto de me ir esquecer de algum pormenor ou de me ir engasgar. Com o tempo, esse medo continuou a crescer de uma forma inexplicável e, se me encontrava bem preparada para a apresentação, era a minha aparência que fazia com que a voz da minha cabeça não me deixasse dormir à noite dizendo que "As pessoas vão gozar com o teu pneu a mais, com a tua maneira de falar ou com o teu sotaque". Esta falta de auto-estima tão característica na minha pessoa levou a que desenvolvesse um grave problema de comunicação em grandes audiências - com grandes quero dizer 10 gatos pingados ou mais! - e que o medo de gaguejar, de falar demasiado rápido ou de não dizer o que devo sejam mais fortes do que aquilo que deveriam de ser.

Hoje em dia, as apresentações na faculdade são um tormento e o acto de ter que falar para mais do que um grupo de 10 pessoas deixa-me num estado nervoso tal que as minhas bochechas mudam de um tom rosado para 50 tons mais avermelhadas - qual 50 sombras de grey! Ter que apresentar um projeto, seja em contexto académico ou associativo, custa-me imenso e, apesar de nunca ninguém ter dito que eu falava mal - antes pelo contrário - existe sempre uma parte de mim que se sente retraída e sem qualquer vontade de comunicar.

Portanto, e quando surgiu o convite para participar num Programa da Rádio Jornal do Centro, os meus sentimentos perante o mesmo ficaram divididos entre o êxtase do que aquilo que o convite representava - um voto de confiança e na qualidade que o blog apresenta - mas o medo de ter que comunicar para dezenas de pessoas sem qualquer fio condutor. Uma incerteza se deveria aceitar ou não este convite percorreu o meu cérebro e, depois de muita deliberação, decidi aceitar. Afinal de contas, porque é que haveria de prejudicar o meu trabalho enquanto blogger por um medo irracional? Porque é que não deveria de me desafiar, de me colocar no limite e ir contra aquilo que o meu cérebro tanto temia?


Acho que não somos nada se não nos colocarmos fora da nossa zona de conforto por vezes, porque só assim é que podemos ter espaço para melhorar, para aprender com os nossos erros e para nos desafiarmos a nós próprios. Se não fosse isso, ficaríamos para sempre estagnados no mesmo ponto da nossa vida, seja no trabalho, na vida académica ou nos vossos hobbies. A nossa vida é uma sucessão de experiências e sentimentos bons e maus e, se não fizermos por as experimentar, ficaremos sempre com uma dúvida no canto do nosso cérebro - e se tivesse arriscado? -. Este é um conselho super generalista mas pelo qual defendo que devemos de reger a nossa vida. E, como tal, saltei para fora da minha zona de conforto, tremi de medo até à entrevista terminar e ainda depois, com suposições irracionais. Mas nada me tira a sensação de dever cumprido, de felicidade e o pico de adrenalina que senti durante a entrevista e o sentimento de valorização e reconhecimento.

Queria agradecer, então, ao Carlos por me por fora da minha zona de conforto e puxar mais por mim. Para além disso, agradeço à Rádio Jornal do Centro por me ter recebido tão bem e por demonstrar interesse nesta área que só no último ano é que começou a ganhar mais destaque na sociedade portuguesa. Caso tenham ficado curiosos com a minha ida à rádio, podem ver um bocadinho da minha entrevista para o Jornal do Centro, com gaguejos, sorrisos nervosos e muita trapalhice, AQUI.

Sentem-se confortáveis a falar em público? O que acharam da minha entrevista?

O medo de falar em público

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

AQUILO QUE APRENDI ENQUANTO ESCUTEIRA

No passado fim-de-semana pus mochilas às costas e rumei a mais um acampamento de escuteiros para um sítio gelado e que fez com que pensasse na minha vida, nos planos que tenho traçados para o próximo ano e no quão frios os meus pés estavam. E, depois de voltar desta grande atividade, sabia que a próxima publicação que escrevesse teria que ser sobre este grande movimento que é o escutismo. Esta é uma publicação que tenho pensada há algum tempo, mas os dias passavam-se e as palavras não me saíam, porque não conseguia - e ainda não consigo com grande facilidade - expressar aquilo que sinto em relação ao meu percurso enquanto escuteira e aos ensinamentos que este movimento me trouxe.

Sei que existe ainda imenso preconceito da população uma vez que nós, escuteiros, somos vistos como as pessoas que utilizam meias até ao joelhos com pompons e que ajudam as velhinhas a atravessar a estrada. E existe muita gente que, tal como o sketch dos Gato Fedorento dizia, preferiam que os filhos andassem na droga a serem escuteiros. Foi por isso que senti que era importante homenagear um movimento que me é tão querido, que me ensinou e me moldou de uma forma inexplicável e que merece muito mais do que uma classificação tão generalista e sem qualquer fundamento. Ajudamos velhinhas a atravessar a estrada, sim, mas somos muito mais do que isso.


Comecei a minha caminhada nos escuteiros com 5 anos, através de uns parentes que também frequentavam os escuteiros e que incentivaram os meus pais a inscrever-me. Com uns calções 5 tamanhos acima do meu e uma mochila tão grande que parecia que não existia Marli, mas sim uma mochila com pernas, rumei à minha primeira atividade enquanto lobita num nervosismo tal e numa ansiedade grande por ser separada dos meus pais durante uma noite inteira. Mal sabia eu que, passados tantos anos, ainda sentiria a mesma ansiedade e nervosismo por rumar a uma atividade nova e diferente.

Nesta fase tão tenra da minha idade esta vivência foi essencial para que me desprendesse da asa dos meus pais e ganhasse as minhas próprias asas, ainda que pequeninas. Tornou-me uma criança mais dada, menos medrosa - embora ainda berre de cada vez que vejo um bicho maior do que o habitual - e muito mais independente, uma vez que lá não tinha o colo da minha mãe para correr sempre que fosse preciso. Levou-me a enfrentar os meus maiores medos e a batê-los.

Foi nos exploradores que aprendi que conseguimos fazer mais do que aquilo que pensamos conseguir. Na IIª secção do movimento escutista, passamos por algumas experiências muito diferentes de até então e aprendemos diversas coisas que nos desafiam - os nós botão em cruz, fazer uma mesa desde raiz, caminhar quilómetros, dormirmos ao relento ou orientarmo-nos sozinhos. Isto leva a que sejamos confrontados constantemente com coisas que, por vezes, nos ultrapassam enquanto pré-adolescentes que somos na altura.

Nunca me esqueço de uma atividade em que o meu chefe da altura teve que carregar a minha mochila porque eu pensava que não iria conseguir acabar a caminhada que estávamos a fazer - 20 quilómetros para uma rapariga cheinha não são assim tão fáceis, verdade seja dita. Mas a vergonha que senti nesse momento fez com que fortalecesse o meu carácter e levou a que nunca mais ninguém tivesse que me carregar em momento algum, apesar das adversidades. Porque se os outros conseguiam fazê-lo, porque é que não haveria de conseguir eu também?

A minha secção do coração foram os pioneiros porque foi nesta que eu aprendi que não existe ninguém mais forte do que nós próprios, basta acreditarmos. Apesar de ter sido confrontada com a possibilidade de ser guia de uma equipa em todas as secções por que passei, neste caso foi diferente. Sentia que era muito nova para tal responsabilidade e foi a minha chefe de secção que me abriu os olhos e fez com que sentisse que tinha valor para tal. E guardo esse voto de confiança comigo desde esse momento até ao momento em que passei pela mesma situação mas numa secção diferente, em que o voto de confiança foi reforçado. Não existe nada melhor do que alguém confiar em nós com algo que nós próprios não confiaríamos. Foi aqui que aprendi que tenho valor e que aquilo que faço, por mínimo que pareça aos meus olhos, pode fazer uma diferença gigante aos olhos de outra pessoa.

Esta secção ensinou-me que um bom espírito de equipa é essencial para um bom trabalho. E, a partir do momento em que atingimos uma harmonia com aqueles que nos rodeiam, é impossível algo correr mal - porque, mesmo correndo, temos sempre o apoio da nossa equipa. Aqui aprendi a respeitar o próximo, a ouvir a opinião de todos e a trabalhar em equipa.

A fase mais difícil da minha caminhada enquanto escuteira passou-se nos caminheiros, em que existiram diversas mudanças na minha vida - a mudança de cidade e o início de um novo percurso escolar num sítio onde não conhecia ninguém - que levaram a que a minha personalidade se alterasse ligeiramente - amadurecesse, como o vinho do Porto - e, uma vez que a secção nova não me estava a entusiasmar, estive presa apenas por um fio a este movimento. Mas fui-me mantendo, pelas amizades que tinha construído e pelo bichinho que ainda vivia dentro de mim e que adorava toda a mística escutista e isto leva-nos a uma das maiores lições que o escutismo me deu - nem sempre as coisas são boas, mas existe sempre algo melhor em frente. Não desisti, continuei no movimento e hoje, 2 anos depois desses meses estou extremamente motivada com esta secção e com tudo que ela me tem para oferecer. A nossa vida é um ciclo constante e nem tudo nos entusiasma sempre. Temos que aprender a gerir as nossas emoções e a pensar racionalmente - se algo nos fez tão feliz como este movimento me fez a mim, continuará certamente a fazê-lo, apesar da fase complicada que pode estar a passar.


A característica que mais valorizo em mim mesma e que foi fomentada ao longo de 15 anos enquanto escuteira por este bonito movimento é de que devemos estar sempre prontos para auxiliar o mais próximo. Tal como o nosso fundador, Baden Powell, sempre nos ensinou, temos que deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. E é com isto em mente que procuro sempre dar mais do que aquilo que tenho, sem pedir nada mais do que um sorriso em troca. A sensação de bem estar que temos de cada vez que ajudamos outra pessoa, de dever cumprido, é impagável.

Por fim, mas aquilo que é mais importante no meio de todos os ensinamentos e vivências que retiro desta enorme família - as boas amizades sobrevivem a grandes distâncias. Fiz grandes amizades neste movimento, amizades que levo certamente para a vida. Porque, apesar de não estarmos juntos todos os dias ou até todos os meses, quando nos vemos é como se não tivesse existido tempo nenhum entre os encontros. A conversa retoma, as gargalhadas surgem e o à-vontade mantém-se. E isto é do mais bonito e mais puro que podia haver.

A minha vivência está longe de acabar e ainda tenho muito a aprender com o movimento que inspirou esta publicação mas a verdade é que o escutismo ajudou a moldar aquilo que eu sou hoje em dia. Tornou-me mais solidária, mais altruísta, mais desinibida - dentro dos possíveis, claro -, mais descontraída e despreocupada com tudo - viva o cheiro a cavalo depois de um dia de caminhada, o pó na cara e o arroz com caruma - e fez com que eu valorize tudo aquilo que tenho - um bom banho depois de uma atividade, uma tenda que não se desmonta sozinha, uma noite bem dormida num terreno duro e a oportunidade de vivenciar tudo isto. Afinal é verdade aquilo que se diz: uma vez escuteira, para sempre escuteira.

Vocês são escuteiros?

AQUILO QUE APRENDI ENQUANTO ESCUTEIRA

domingo, 31 de dezembro de 2017

20 PALAVRAS QUE CARACTERIZAM OS MEUS 20 ANOS

Fiz 20 anos neste ano de 2017 - do dia 27 de Novembro, para ser mais concreta -, e, ao longo destes anos, vi a minha personalidade alterar-se e definir-se como é natural a qualquer pessoa. Cheguei a uma idade em que, apesar de existir sempre espaço para mudanças, para aprendermos com os nossos erros e para destacarmos aquilo que de bom temos para oferecer ao mundo, aquilo que sou agora será aquilo que serei no futuro. Como retrospectiva tanto do ano que passou como dos anos anteriores a esses, achei que seria engraçado dar-me a conhecer um pouco mais a vocês que me seguem com uma lista de 20 adjetivos, palavras e expressões que me caracterizam nos doces 20.


1 # Dramática
De entre todas as palavras desta publicação, senti que esta era a mais adequada para abrir a lista. O drama é algo que faz parte de mim desde que me conheço e se me acontece algo, eu quadriplico a situação e faço tudo parecer uma tempestade num copo de água.

2 # Escuteira
Dos meus 20 anos de existência, sou escuteira há 15 portanto acho que faz todo o sentido que este movimento faça parte de algo que me define enquanto pessoa. Tornou-me a pessoa que sou e contribui para alguns dos melhores momentos e experiências pelas quais já passei.

3 # Espontânea
Não sei se devo considerar isto um defeito ou uma qualidade mas, apesar de ser uma overthinker profissional, muitas vezes digo aquilo que me vem à cabeça no momento, especialmente quando me sinto cem por cento à vontade com as pessoas. Isto faz com que me saiam frases muito características minhas e que se proporcionem momentos realmente cómicos entre o meu grupo de amigos.

4 # Solidária
Gosto imenso de dar tudo aquilo que posso de mim. Seja para peditórios, para voluntariado de terreno ou para organizar este tipo de atividades, estou sempre pronta para deitar uma mão a quem precisa e, portanto, acho que isto é um traço muito notório na minha personalidade.

5 # Abraçadora Profissional
Se existe algo que caracteriza a minha aparição num grupo de pessoas são os abraços que distribuo por toda a gente. Gosto imenso de mostrar às pessoas que gosto delas e se esta é a melhor forma que encontro para o fazer, então que o seja.

6 # Emotiva
Eu choro com tudo. Literalmente tudo. Cada filme dramático que vejo, cada rio que se forma no meu quarto com uma mistura de lágrimas e ranho. Por isso, quando digo que chorei mais do que muito não quer necessariamente dizer que vocês vão chorar, ok?

7 # Cantora
Sou cantora de duches e não só. Talvez não saibam isto sobre mim, mas adoro cantar e sonho construir uma carreira musical nalgum destes dias. Um dia destes ainda me hão de ver num programa de televisão com talentos musicais, a tentar a minha sorte. 

8 # Stressada
Qualquer coisa que possa vir a fazer ou possa vir a existir na minha vida me torna stressada. Penso nas coisas, torno a repensar e acabo por criar uma pequenina bola de stress no meu estômago que só tem tendência para aumentar e aumentar e aumentar.

9 # Desarrumada
Ai, meu deus. O caos que o meu quarto está constantemente é assustador. Eu tento, juro que tento, mas existe uma força maior do que eu que faz com que deixe as coisas espalhadas por todo o lado. Uma coisa que, aos bocadinhos, estou a tentar melhorar mas que está a demorar mais tempo do que o esperado. Mas isto há-de ir ao sítio em 2018.

10 # Pessimista Camuflada
No exterior estou sempre a tentar ser positiva com tudo. A dar força a toda a gente, a motivar os meus amigos e a fazer com que as pessoas se sintam bem com elas mesmas. Mas, para os meus botões, sou uma pessimista nata. Penso sempre no lado negativo de tudo e acabo sempre por me prender a essa versão da história.

11 # Campeã de Procrastinação
Não conheço ninguém que procrastine tanto como eu faço. A maior parte das minhas tardes são passadas a adiar as mil e uma tarefas que tenho para fazer - entre blog, estudos e atividades extra-curriculares - mas não há nada que me faça parar de ser assim. Se há um desejo que quero muito cumprir para este novo ano, é passar a ser mais organizada.

12 # Quirky
Não conheço ninguém que seja como eu. Tenho uma maneira de ser muito própria e uma maneira de pensar igual. Por isso acho que esta palavra me acenta como uma luva. Sou excentrica, mas um excêntrico que não é necessariamente mau - aliás, neste caso não é nada mau.

13 # Atriz
À semelhança de ser cantora, também tenho uma pequena atriz dentro de mim. Desde que me conheço que faço parte de grupos de teatro e tenho evoluído muito nesta área graças ao meu enorme interesse pela mesma. Teatrar mais no próximo ano é algo com que sonho e que espero vir a realizar.

14 # Preguiçosa
A procrastinação e a desarrumação já revelaram esta característica da minha personalidade, verdade seja dita. Apesar de gostar muito de atividade e gostar de passear, conhecer e viajar, também sou um tanto ou quanto preguiçosa e há alturas que não saio de casa mesmo por ter preguiça de me vestir, tomar banho ou me arranjar. 

15 # Sonhadora
Acho que já foram percebendo ao longo desta publicação que eu tenho imensos sonhos. Ter uma carreira no mundo da música e do teatro são dois dos meus grandes objetivos de vida - que, infelizmente, têm ficado em segundo plano e andam a ser tratados como hobby. Mas não existe nada que me deixe mais feliz do que imaginar-me num grande palco, a representar para milhares de pessoas e sentir que o público gosta do meu desempenho. Ai, sonhar!

16 # Tímida
Esta irá surpreender todos os que me conhecem mas, quando entro num grupo de pessoas que não conheço sou extrovertida, mas acabo por me tornar tímida à medida que o tempo passa. Sim, eu sei, sou diferente de toda a gente, mas tenho sempre receio de me revelar a cem por cento às pessoas que estou a conhecer e portanto tento sempre esconder um bocadinho de mim até me sentir à vontade para o revelar.

17 # Insegura
Em sequência daquilo que vos disse aqui em cima, sou extremamente insegura. Já escrevi diversas vezes sobre isso por aqui - para quem tiver curiosidade, podem ler as minhas publicações AQUI e AQUI - e, apesar de ser algo que tenho vindo a melhorar, ainda há muito a trabalhar neste campo para o próximo ano. O meu amor próprio é uma luzinha que está a aumentar aos poucos, e espero que em 2018 se torne um holofote.

18 # Esquecida
Se eu fosse uma personagem de um filme, seria a Dory do À Procura do Nemo. Esqueço-me de tudo aquilo que me dizem, dos mexericos que me contam, da matéria que leio, dos filmes que vi ou das ideias que tinha aqui para o blog. É um problema que não tem salvação e que, com o passar dos anos, tenho aprendido a lidar - através de notas por tudo o quanto é lado e exercícios de memorização. Não há nada a fazer, apenas fazer como a Dory e just keep swimming.

19 # Dorminhoca
Não é que eu durma até ao meio-dia todos os dias mas preciso de durmir 8 horas e meia todas as noites, caso contrário fico com uma dor de cabeça incrível e com dores de estômago. É uma maldição para as noites que devia de passar a estudar e, por ter uma velhinha interior a mandar-me para a cama, não o faço. Um dos meus objetivos para o próximo ano é, sem dúvida, diminuir o tempo de sono.

20 # Blogger
Por fim, mas não menos importante, a palavra que definiu este ano que passou foi blogger, sem dúvida. Primeiro porque chegámos a um número que me deixou muito entusiasmada - os 1000 seguidores, que festejei AQUI. Depois, porque durante este ano consegui encontrar o meu caminho enquanto criadora de conteúdo e consegui desenvolver-me um bocadinho nesse sentido. Aumentou a regularidade das publicações e o empenho que ponho nelas. Que 2018 torne ainda mais regulares as publicações e que me torne capaz de preparar conteúdo com algum tempo de antecedência.

Um feliz 2018 para todos vocês, meus queridos leitores.

Esta publicação foi uma espécie de despedida do ano de 2017 e só vos consigo deixar uma mensagem - vocês fazem o vosso ano. Não esperem que caia um anjinho do céu que vos tire os quilos a mais, que vos proporcione a realização dos vossos sonhos ou que vos enriqueça magicamente. Vocês são o ingrediente principal nas mudanças que vocês querem fazer! Partam para a aventura e façam de 2018 o melhor ano que conseguirem.

Quais são as três palavras que vos caracterizam melhor? Gostaram de me conhecer melhor?

20 PALAVRAS QUE CARACTERIZAM OS MEUS 20 ANOS

quarta-feira, 28 de junho de 2017

AOS 1000 LEITORES

O meu coração palpita ao ver este número no ecrã e tenho um sorriso de orelha a orelha enquanto escrevo esta publicação. Acabei de alcançar algo que sonhava há muitos anos e que, inocentemente, sempre pensei que nunca iria acontecer - ou porque iria desistir até lá ou porque não acreditava naquilo que aqui desenvolvia. Mas, embrulhado em papel feito com o vosso carinho, chegaram os 1000 leitores ao blog dos meus sonhos.

1000 é um número tão redondo e tão grande apesar de ser escrito com apenas 3 letras. Desde o início do blog que o objetivo era, para além de criar conteúdo que eu acredito que seja de qualidade, crescer e crescer e crescer até chegar a este número. Aliás, na minha cabeça existia uma espécie de buraco negro depois deste número para o My Own Anatomy. Se alguma vez cá chegasse - e, depois de 5 anos com muitos altos e baixos, cá cheguei - iria estagnar para sempre neste número. 

A minha reação ao ver este número na lateral direita do meu canto foi exagerada, como só poderia ser da minha parte, mas contida - afinal, estava numa biblioteca. Comecei a lacrimejar e a rir-me, corri porta fora, fechei-me na casa de banho da faculdade e chorei até ser interrompida por uma rapariga. A partir daí e durante essa tarde, a minha mente nunca regressou aos estudos. Fui logo celebrar com um gelado e, durante esse dia e enquanto contava àqueles que acompanham mais de perto a minha jornada enquanto blogger, nunca tirei o sorriso da cara e a lágrima do canto do olho, pronta a ser derramada.


Enquanto pensava na forma que deveria de celebrar este número, achei que deveria de o fazer de uma forma diferente. Muitos de vocês só acompanham o blog há pouco tempo e não conhecem bem a pessoa que está por detrás deste menino nem de onde ele partiu. Achei que seria então uma boa data para partilhar convosco esta história de encantar que levou ao nascimento e crescimento da minha casa virtual.

Hoje vou contar-vos a história do menino dos meus olhos, o My Own Anatomy.

Comecei o My Own Anatomy, ao contrário do que muitos de vocês poderão pensar, porque conhecia uma rapariga que tinha um blog e eu achava que ela era tão fixe que tinha que ter um só para mim, para ver se conseguia ser como ela - a rainha da popularidade, cheia de estilo e magrinha. Assim saiu a primeira publicação, no dia 26 de Dezembro de 2012, em que vos trago uma publicação muito aleatória. com algumas fotografias que tinha tirado na altura.

O blog começou por se focar na categoria de moda, apesar de não ser, de todo, a minha praia. Contudo, foi com esta descoberta pelo mundo da moda (que hoje em dia me apaixona) que fui desenvolvendo o meu estilo pessoal - no meio de alguns conjuntos desastrosos, escolhas arriscadas e fotografias muito desajeitadas. As minhas partilhas passavam por escrever sobre aquilo que tinha andado a fazer no dia, as minhas frustrações diárias ou os conjuntos que "tinha usado no dia" - mas que na realidade tinha vestido apenas para usar naquele momento.

Alguns meses depois, e à medida que entrava neste mundo que é a blogosfera, fui-me apercebendo que aquilo que escrevia não era aquilo que eu pretendia fazer, a abordagem que pretendia ter. Por isso, comecei a direccionar o blog mais para os meus gostos pessoais - para além da moda, comecei a abordar música, fotografia, poesia e textos que me agradavam e viagens que fazia. 

Ao longo dos anos, apercebi-me daquilo que queria realmente falar por aqui e que é o tema que se mantém até ao momento. Para aqueles que estão a franzir o sobrolho e a pensar "Mas que raio, ela não tem tema...", é isso mesmo aquilo que eu quero falar por aqui - de tudo! Não sou só de moda, não sou só de entretenimento nem sou só de beleza ou decoração. Sou um turbilhão de ideias, de interesses e de sentimentos numa só pessoa de 1,68m e, como tal, não poderia deixar de espelhar isso no meu blog. Sou de extremos - ando nos escuteiros e não tenho receio de meter as mãos no trabalho sujo quando é necessário, mas também gosto de vestir coisas florais e rodopiar; gosto de todas as artes, não dispenso uma viagem cultural e se me perguntarem se gosto de comer respondo sem rodeios que adoro! Portanto, não havia forma de me restringir a um só tema, porque seria retirar a essência daquilo que o My Own Anatomy esteve sempre destinado a tornar-se: um espaço multifacetado, com um bocadinho de tudo aquilo que há de bom na nossa vida.


O blog manteve-se anónimo durante largos anos. Não, não era anónimo, a minha cara aparecia - e em grande destaque - mas não o publicitava e, se me perguntassem, dizia que não o tinha. Por mais estranho que pareça, apenas depois de quase 4 anos de publicações, é que decidi apresentar o blog a todos os meus conhecidos, familiares e amigos - através de uma publicação no meu facebook pessoal. Apesar de existirem algumas pessoas que já sabiam da sua existência - e inclusive me ajudavam a tirar as fotografias, por exemplo, ou a ter ideias para o mesmo - só depois deste tempo todo é que tive finalmente coragem de mostrar ao mundo o meu espaço digital. A vergonha e o nervosismo era enorme, mas, depois disso, passou a ser muito mais simples explicar para que se destinam determinadas ideias ou fotografias - ah, é para o blog, consigo finalmente responder (ainda que continue bastante tímida sempre que me falam do mesmo).

Dizer que tudo sempre foi um mar de rosas é mentira. Já olhei várias vezes para o lado, para meninas que começaram bem depois de mim e conquistaram o público instantaneamente. Já andei às voltas sem inspiração, sem saber sobre o que falar durante dias a fio. Já pensei se não poderia fazer outra coisa com o tempo que dedico aqui, todos os dias. Já me questionei se alguém me lê, alguém quer saber, alguém sequer sabe que eu existo. Mas estas crises passam sempre. Porque, mesmo tendo todos os factores do mundo contra o blog, não há nada que me deixe mais com a sensação de dever cumprido do que carregar no botão do publicar, do que postar aqui regularmente, do que passar horas a procurar inspirações, a fascinar-me com outras bloggers bem melhores que eu e a aprender com elas.


O que reserva o futuro para o My Own Anatomy? O futuro é uma coisa incerta, bem sei, mas no que depender de mim vou continuar a escrever enquanto tal fizer sentido e sentir que há algo mais para partilhar. A crescer o meu público cada vez mais e a desenvolver a minha própria voz na blogosfera. A ambição deixou de ter um número na minha cabeça - pelo menos enquanto a ideia de buraco negro continuar na minha cabeça. Quantos mais vierem e que gostem do meu trabalho, mais feliz e grata me sentirei. Se não vier ninguém novo, também estarei grata por aqueles que continuarem a passar por aqui e que continuem a partilhar o seu carinho.

Para terminar, apesar de na minha cabeça ter mais mil coisas para vos dizer e para vos contar sobre este blog e as peripécias que já passei com ele, apenas vos escrevo mais uma coisa que resume esta publicação toda: um obrigada bem grande a todos aqueles que me acompanham, seja desde há quase 5 anos atrás ou há 1 dia atrás, seja de forma pública ou privada, sejam meus conhecidos ou desconhecidos. Sem todos os comentários, visitas e carinho que recebo da vossa parte esta longa viagem possivelmente teria terminado muito mais cedo. Tenho um sentimento de gratidão tão grande e de amor por todos vocês que não consigo descrever em palavras. Sabem quando os vossos olhos se enchem de lágrimas ao pensar nalguma coisa e o vosso coração se aperta um bocadinho mais? É isso que sinto - mas no sentido óptimo.

Obrigada por fazerem do My Own Anatomy aquilo que ele é hoje!

AOS 1000 LEITORES

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