Entretainment
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Literatura // Jane Eyre
Existem diversos clássicos da literatura que fazem parte de bucket lists de literatura e os quais ambicionamos um dia ler, para podermos formar a nossa própria opinião sobre os mesmos e afirmar que o fizemos. Esse é o caso dos clássicos românticos como o Orgulho e Preconceito – um dos meus livros favoritos de sempre, do qual já vos falei AQUI -, o Romeu e Julieta ou o Jane Eyre, livro que posso finalmente riscar da minha readlist.
Jane Eyre, um livro escrito por Charlotte Bronte, conta a história da personagem que dá nome ao livro na primeira pessoa desde o início da sua vida, em meados do século XVIII até à sua idade adulta.
Confesso que demorei algum tempo a ler este livro. Levei-o em todas as viagens que fiz durante o meu período de Erasmus mas não conseguia convencer-me a pegar nele e ler. Como seria de esperar, a escrita da autora é muito rebuscada, muito densa, excessivamente detalhada e extremamente pessoal numa época que não nos é familiar. A forma como a sociedade era comandada na altura nada tem a ver com aquilo que hoje em dia vivemos e, por isso, é complicado acompanhar e apoiar as decisões tomadas pela personagem principal uma vez que não compreendemos a cem por cento as circunstâncias em que esta se encontrava – uma época em que o machismo, a escravidão, a sociedade hierarquizada e a serventia eram o prato do dia.
No entanto, Jane tem um carácter muito forte, pouco permissivo e bastante diferente das restantes mulheres da sua época, revelando uma nova perspetiva aos costumes de outrora e à forma como as personalidades mais vincadas eram demonizadas e causavam alarme de entre os demais. É uma personagem difícil de gostar e com a qual não se consegue criar uma conexão facilmente mas, no entanto, é também a personagem que mais sentido faz na narrativa em que se encontra. A sua personalidade perspicaz traz sempre um ponto de vista fresco e inesperado a qualquer situação em que se encontre, independentemente da gravidade do mesmo. Mantém-se fiel àquilo que acredita independentemente daquilo que o seu coração diz e é bastante pragmática - sabe o seu lugar e tende a ficar nele, mesmo que seja puxada para de lá sair.
É agradável acompanhar o crescimento da personagem desde os seus tempos de infância e compreender de que forma aquilo que ela passou influenciou a sua maneira de pensar e ver a vida. Apesar de não serem situações muito fora do comum – a morte dos pais aquando pequena, a ida para um colégio religioso e a serventia enquanto tutora na casa de uma família com posses -, fazem sentido na narrativa e conferem um toque realista à mesma.
Apesar de achar interessante o conceito e a forma como a personagem desenvolve ao longo da trama, não consigo recomendar este livro. Apesar de considerar louvável o facto da autora ser a primeira a escrever na primeira pessoa, algo que hoje em dia é recorrente em livros de ficção, especialmente nos young adult, achei a leitura muito maçadora e bastante previsível. Sim, reconheço que é admirável termos como personagem principal uma mulher simples, sem grandes elementos atrativos e o quão isto era arriscado na época em que a autora viveu e desenvolveu o seu trabalho.
No entanto, a leitura não é dinâmica, os diálogos entre as personagens são de difícil compreensão, muito filosóficos e formais para aquilo que gosto e aprecio – mais uma vez, pela época em que a história é narrada. Acredito que o facto de não ter gostado da narrativa pode estar relacionado com a forma como o romance está escrito, que não vai de acordo com aquilo que mais gosto, e não pela história em si. Por isso, se gostam de livros históricos, narrados na primeira pessoa e com um pouco de romance, acho que este é um tiro certeiro para vocês. Para mim não o foi!
Já leram o Jane Eyre? Quais os clássicos que me recomendam?
sábado, 16 de março de 2019
Séries // Genius
Não existe um género de série que seja o meu favorito, como já vos disse algumas vezes. Em determinado momento da
minha vida faz sentido ver um tipo de série mais cómico, noutro momento faz
mais sentido um drama e, quando me estou a sentir um pouco extra, viro-me para
as fantasiosas ou em estilo de documentário - que são uma raridade na minha coleção! Foi o caso de Genius, uma série
que desde que saiu tinha curiosidade de ver mas que só agora se proporcionou o
momento para tal.
Ao contrário de uma série normal, Genius divide as suas histórias por temporadas,
focando-se em célebres nomes mundiais dos mais variados ramos profissionais –
campo artístico, científico ou desportivo. Nas duas temporadas disponíveis,
podemos acompanhar a vida de Albert Einstein, físico do mundo conhecido pela sua Teoria da Relatividade e de Pablo
Picasso, famoso pintor espanhol que se destacou no cubismo.
Acompanhar
a história de grandes personalidades é sempre um pau de dois gumes, na minha
opinião. Se, por um lado, é muito interessante saber como se desenrolaram as suas caminhadas até ao sucesso com que morreram, por outro lado acabamos por conhecer
novos pormenores das suas vidas que nos podem desiludir. E este foi o caso.
Apesar de saber que existe uma grande diferença cultural entre a época em que
estes génios viviam e aquela em que vivemos atualmente, custa-me ver o desprezo com que
tratam as mulheres que os rodeiam e a subvalorização do trabalho das mesmas em prol do
seu próprio trabalho.
No entanto, o facto da série ser tão realista até nos pontos mais sensíveis só lhe acrescenta valor. Todos acreditamos
que o sucesso acontece apenas para aqueles a quem a fortuna bate à porta. Mas
nem sempre é assim. Einstein ensina-nos que o trabalho recompensa e que a
persistência é a chave para tudo. Se este não tivesse persistido vezes e vezes
sem conta, a sua teoria nunca teria sido aceite dentro da comunidade científica
– que tinha a mente especialmente fechada na época. Já Picasso ensina-nos que devemos de
nos desafiar sempre, não nos acomodar na nossa zona de conforto e explorar
todas as opções até encontrarmos aquela que seja mais fiel à nossa identidade.
Os atores não se destacam particularmente.
Fazem um bom trabalho, entregam as suas falas da melhor forma mas não impressionam
com a sua dinâmica em cena ou com uma representação particularmente emocionante, apesar das personagens assim o pedirem. Destaco a interpretação de Samantha Colley, como primeira mulher de Einstein e uma das amantes de Pablo Picasso, que se coloca noutro patamar quando comparativamente com os demais. A banda sonora da série adequa-se perfeitamente às épocas em que esta se passa – mesmo vivendo no mesmo espaço temporal, os caminhos de Einstein e Picasso são muito distintos, sendo as suas culturas e a cidade onde viviam bastante diferentes. A sonoridade adapta-se à cultura em que estes estão inseridos, transportando-nos para um local completamente diferente de uma temporada para a outra.
Sendo uma série da National Geographic e uma série de estilo bibliográfico, não é filmada da forma mais criativa possível, porque não existe margem para grandes efeitos ou alterações de luzes- é uma história real, nua e crua. Ainda assim, acho que cativa o espectador ao ecrã, uma vez que a história saltita entre o passado e o presente das personagens, conferindo maior dinâmica à cena. Sem dúvida que é uma série que vale a pena pela história que nos conta, pelos segredos que revela e que nós nem temos consciência e pela inspiração que é ver como estas pessoas trabalhavam e viviam a sua vida que começou de forma ordinária e passou a brilhante.
Sendo uma série da National Geographic e uma série de estilo bibliográfico, não é filmada da forma mais criativa possível, porque não existe margem para grandes efeitos ou alterações de luzes- é uma história real, nua e crua. Ainda assim, acho que cativa o espectador ao ecrã, uma vez que a história saltita entre o passado e o presente das personagens, conferindo maior dinâmica à cena. Sem dúvida que é uma série que vale a pena pela história que nos conta, pelos segredos que revela e que nós nem temos consciência e pela inspiração que é ver como estas pessoas trabalhavam e viviam a sua vida que começou de forma ordinária e passou a brilhante.
"My future is mine and mine alone, so I must take charge of it."
Gostam de séries mais biográficas? Qual foi a vossa temporada favorita de Genius?
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Séries // Sharp Objects
Um dos temas de conversa recorrentes no meu grupo de amigos são as séries que vemos, despertando vivos debates sobre as personagens, as bandas sonoras ou os guiões das mais badaladas séries do momento. Apesar de ver imensas séries, nestas conversas acabo por conhecer algumas das quais nunca tinha ouvido falar ou das quais já tinha ouvido falar mas que nunca tinha visto. Sharp Objects surgiu numa dessas conversas e, largos meses depois, dei-lhe uma oportunidade.
A série conta a história de Camille Preaker, uma problemática jornalista que se debate com problemas de alcoolismo e automutilação, a quem é incutida a tarefa de investigar o homícidio de duas adolescentes em Wind Gap, a cidade onde nasceu e foi criada. O regresso à sua cidade natal traz ao de cima muitos pontos do seu passado que esta não gostaria de recordar.
Esta série tinha tudo para ser um sucesso e isso notou-se. Baseada no livro de Gillian Flynn, autora que é mais conhecida pelo grande Gone Girl - livro no qual é baseado o filme com o mesmo título -, traz-nos o equilíbrio perfeito entre suspense e drama. Apesar de se desenrolar de uma forma um tanto ou quanto lenta, acaba por nos prender ao ecrã desde o primeiro ao último minuto pela forma genial como todos os pormenores estão pensados e são propositados. Para além da trama central - o homicídio das duas jovens -, que automaticamente nos deixa bastante curiosos com o desenrolar dos acontecimentos, são abordados assuntos como o alcoolismo, relações tóxicas, depressão, automutilação e outras doenças do furo psicológico. Apesar da diversidade de temáticas ser uma das principais razões porque ficamos viciados na série, aquilo que a tornou numa das minhas favoritas que vi nos últimos tempos foi o plot twist final muito inesperado. O facto da narrativa dar uma volta tão grande e nos deixar um pouco pendurados torna esta série ainda mais mágica, porque deixa-nos a questionar as personagens e a forma como a trama se desenrolou sem nunca prevermos aquela situação.
As personagens não nos conquistam imediatamente, e apresentam muitas camadas que vão sendo descobertas ao longo dos vários episódios. As três personagens principais, Camille, Adora e Amma, estão muito bem construídas, são muito coesas e têm personalidades que não são costumes neste tipo de narrativa. Sendo Camille a alcoólica perturbada, com desgosto familiar e uma bagagem emocional imensa e Adora a mãe de alta sociedade que tem uma aparência a manter, com um amor inquestionável pelas suas filhas e por cuidar das mesmas mas secretamente muito instável, é complicado apaixonarmo-nos por Amma, a filha mais nova neste trio, porque aparece como uma adolescente desesperada por atenção, rebelde e verdadeiramente bitchy. Na verdade, esta foi a única personagem que não consegui gostar na trama toda. No entanto, existe um vasto leque de personagens para além deste trio que contribui para a narrativa e que são igualmente interessantes - saliento o pai de família, Adam, e Ashley, a namorada de um dos irmãos das vítimas.
É importante referir o elenco de excelência que a mini-série tem, escolhido ao pormenor de acordo com a personagem. No entanto, tenho que distinguir as duas atrizes principais de entre os demais. Começando pela Amy Adams, conhecida princesa de Hollywood e que aparece num registo completamente fora da sua zona de conforto e, por isso mesmo, super poderoso, cru e genial. Na minha opinião, a escolha mais do que acertada para Camille e que vendeu o papel a cem por cento. A ela, junta-se Patricia Clarkson com uma interpretação de Adora, mãe de Camille e de Amma, absolutamente arrepiante e que lhe entregou o globo de ouro para melhor atriz num papel secundário. A entrega ao papel, a emoção e a postura necessária à posição social da personagem são algumas das coisas que podemos apreciar na interpretação da atriz. Para além disso, a fotografia da série está divinal, o guião bem escrito e coeso e a banda sonora escolhida a dedo para tornar esta uma das melhores séries criminais dos últimos tempos. Se procuram uma série de suspense criminal fora da caixa, com a quantidade certa de mistério e com bons plot twists, então é esta a que devem assistir!
"The face you give to the world tells the world how to treat you."
Já viram esta série? O que acham deste tipo de séries de suspense?
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
A primeira vez que fui a um Drag Queens Show
Não é segredo nenhum que sou fã de drag queens, dos seus talentos e das suas performances. Desde que comecei a assistir a Rupaul's Drag Race - podem ler sobre aquilo que acho do talent show AQUI - que faço questão de introduzir toda a gente que conheço a este mundo que, na minha opinião, merece um reconhecimento muito maior do que aquele que tem. Seja a dançar, a cantar, na comédia, no drama, na sua maquilhagem elaborada ou nos conjuntos que apresentam, existem horas de preparação por detrás da personagem que se apresenta em palco das quais as pessoas não se apercebem muitas vezes e que eu valorizo muito.
Por isso, quando soube que existiam um grande número de performances de conhecidas drag queens como a Aquaria, a Sasha Velour - uma das minhas favoritas -, a Kameron Michaels ou a Detox aqui em Milão, decidi que esta seria a oportunidade perfeita para assistir ao meu primeiro espetáculo de drag queens. Escolhi, para a minha estreia, ver a Shangela, conhecida pela suas habilidades de dança, personalidade e pela sua viva presença em palco, num especial de Natal no passado dia 21 de Dezembro.
Devo começar por confessar que a Shangela não é das minhas drag queens favoritas. Apesar de reconhecer que ela é muito talentosa, não existia uma grande empatia entre mim e ela como existe com outras queens que, na minha opinião, são melhores. No entanto, e depois da atuação a que assisti, rendi-me à sua personagem e àquilo que ela representa na cultura drag. Dona de uma incrível capacidade coreográfica, dança como nunca antes vi. Consegue fazer todos os truques clássicos de drag queens - como os death drops ou o vogging -, sempre com o seu cunho pessoal e muito próprio. Além disso, os seus figurinos são maravilhosos. Tudo é pensado ao pormenor para nos deixar arrebatados, desde a manicure francesa que podíamos ver nas suas unhas até ao cabelo, penteado de forma a criar imenso volume e colocado de forma a não sair da sua cabeça nunca - e acreditem, teve imensas oportunidades para sair no meio de todos os hair flips.
Aquilo que mais admirei neste espetáculo foi, sem dúvida, o entretenimento puro ao qual somos submetidos. Mais do que a dança ou os talentos musicais, as drag queens são comunicadoras natas. Desde o primeiro momento em que pisam o palco que entretém o seu público, sejam ou não conhecidas por nós. Seja com o seu habitual desdém para outras queens - saudável e muito típico neste mundo -, com a sua personalidade estridente ou com os pequenos tiques que têm - os thong pops, o mexer das mãos ou até as suas catchphrases como Haleloo! -, conquistam até os mais cépticos e proporcionam um bom serão a qualquer um. Até os momentos em que as drag queens estavam a mudar de figurino, existia um anfitrião a interagir com o público e a criar diversas dinâmicas com o mesmo - chamar pessoas ao palco, criar votações presenciais ou procurar os maiores talentos entre o público - de forma a manter a energia bem em cima e a preparar o público para a próxima atuação.
Apesar da Shangela ser a principal atração da noite, pude ver a atuação de 2 outras queens de Milão que, tenho que admitir, se encontravam ao mesmo nível que a Shangela. Apresentando os clássicos da música pop como Survivor, das Destiny Child ou Joanne, de Lady Gaga, estas mostraram uma boa movimentação em palco, uma capacidade para a dança fora do normal e total entrega às canções escolhidas.
A noite terminou com o maior hino natalício do mundo, interpretado pela grande Mariah Carey, All I Want For Christmas is You, que juntou as três artistas da noite no mesmo palco e proporcionou a cereja no topo do bolo para o fim de uma noite muito divertida. Foram duas horas de diversão, dança e puro entretenimento que me deixaram a querer mais. Saí da discoteca com vontade de ver mais performers do género e com um maior amor por esta arte que é o mundo do drag.
São fãs de drag queens? Alguma vez viram alguma performance ao vivo?
sábado, 22 de dezembro de 2018
Os últimos 6 filmes que vi #2
THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW
- TRAILER AQUI -
THE ROYAL TENENBAUMS
Sou uma fã incondicional de musicais e, finalmente, chegou a hora de riscar mais um filme da minha watchlist musical. Este filme conta a história de Brad e Janet, o inocente e muito apaixonado casal recém-casado que se vê com um pneu furado no meio do nada. Com um grande temporal a acontecer, decidem procurar ajuda na única mansão que encontram nas vizinhanças. Aqui, descobrem um grupo excêntrico de pessoas comandadas por Dr. Frank N. Furter e, a partir daqui, são levados numa longa jornada de acontecimentos estranhos e únicos dentro desta casa que em nada é comum. Este filme, para mim, é excelente. Apesar de conseguirmos compreender que é um filme antigo e que a direção do filme não é feita de forma tão natural como seria hoje em dia - a forma como os planos são cortados ou como se dá a transição entre cenas -, a narrativa é cativante, extremamente interessante e as músicas são para lá de incríveis. Esta narrativa traz o pior deste casal ao de cima e mostra que, em qualquer pessoa, existe um lado negro, feio e sujo que muitas vezes está encoberto, mensagem que se aplica aos dias de hoje. A série de acontecimentos que decorrem - a criação de um ser humano do zero, as traições, a persuasão ou o adultério - tornam o filme muito interessante e, apesar bastantes momentos musicais, estes não se tornam saturantes ou pareçam fora de contexto. Se são fãs de musicais, recomendo muito que vejam este clássico porque passará, certamente, para a vossa lista de favoritos.
THE ROYAL TENENBAUMS
Os filmes do já conhecido Wes Anderson são sempre uma boa opção para um serão aborrecido e, desta vez, o escolhido foi o The Royal Tenenbaums. Este filme conta a história da família Tenenbaums, uma família disfuncional composta por pessoas completamente diferentes, cada uma com os seus próprios problemas e de como os seus caminhos se cruzam todos na mesma casa de família, depois de longos anos separados. Com uma estética invejável e admirável, como sempre nos habituou este realizador, este filme tem um humor negro inerente muito característico e uma narrativa tão real, incorrecta e chocante - incesto, corrupção ou doença mental são alguns dos temas abordados na mesma - que se torna incrível a forma como o resultado é apresentado ao espectador de uma forma tão leviana. Uma banda sonora incrível, um elenco de peso e a sua narrativa estranhamente impressionante fazem deste mais um sucesso cinematográfico na carreira do realizador.
- TRAILER AQUI -
THE INCREDIBLES 2
Os Incríveis não são desconhecidos para ninguém e a sequela do primeiro filme, que era aguardada aos anos por muitos, finalmente chegou. Esta conta a história da família Incrível, uma família de super heróis, que, depois de salvarem a cidade das garras do Underminer, são proibidos de utilizar os seus super poderes a qualquer custo e que, pelas mãos do governo e face à destruição causada por eles, perdem todos os direitos que tinham até então. Assim, e sem outra opção, associam-se aos fundadores da DevTech, uma empresa que tem como o principal objetivo mostrar ao mundo que os super heróis são de confiança. Mas será este o principal objetivo desta empresa? Devo admitir que as expectativas para este filme estavam muito altas, mesmo. E não desiludiu! Achei muito inteligente a forma como desenvolveram o roteiro sem que este se tornasse monótono, pegando no primeiro filme como base de tudo. Isto foi o ponto mais imprevisível, para mim. Esperava uma Violet e Flecha mais velhos, maduros e com a sua própria família e não foi isso que aconteceu. Somos deixados no espaço temporal imediatamente a seguir ao culminar do primeiro filme, de forma a que os filmes sejam perfeitamente sequenciais. Se são fãs de filmes de animação, esta saga dos Incríveis é uma dupla que não podem perder.
- TRAILER AQUI -
CAM
O final do meu dia de anos foi passado entre pizza, amigos e este filme do qual nunca tinha ouvido falar. Esta produção original da Netflix conta a história de Alice, uma rapariga que trabalha como cam girl e que ambiciona chegar ao topo do ranking do website onde exibe os seus espetáculos - sempre com grandes produções e diferentes todas as noites. Apesar da rivalidade, tudo corria bem na sua vida até que, certa noite, se apercebe que a sua conta estava em direto quando ela não estava online e, a partir deste momento, tudo aquilo que ela conquistou começa a desmoronar-se diante dos seus olhos. A temática deste filme tinha tudo para cativar o público e para se tornar um filme interessante e cheio de conteúdo, uma vez que o trabalho enquanto cam girl é ainda tabu. No entanto, a narrativa deste filme é tudo menos interessante, tornando-se num dos piores filmes que vi nos últimos tempos. Não sei se alguma vez sentiram, quando acabam de ver um filme, que não se passou nada no mesmo, e foi isso que eu senti neste. Apesar de acontecerem algumas coisas durante o filme, não senti que fossem significativas e acabamos o filme com uma sensação de perda de tempo. Reconheço, no entanto, que a culpa não é da atriz principal, Madeline Brewer, que interpreta uma personagem incrível em The Handmaid's Tale - podem ver a minha opinião sobre a série AQUI -, mas sim da narrativa muito simples e aborrecida.
- TRAILER AQUI -
SMALLFOOT
A louca dos filmes de animação volta a atacar com mais um filme de animação do qual nunca tinha ouvido falar, mas que apareceu na minha lista de reprodução. Com grandes nomes como personagens principais, este filme conta a história de Migo, um yeti que vive num mundo regido por certas regras inquestionáveis que defendem que não existe criatura para além de yetis e que cada yeti nasce com um determinado propósito. Migo sempre foi um ávido defensor das regras até ao dia em que vê a sua fé abalada pela presença inesperada de um smallfoot na sua montanha - ou, em linguagem de leigos, um humano. Este filme é um daqueles que aquece o coração e que nos faz apaixonar pelas personagens do mesmo. Fala de crenças e de estereótipos e de como nem todos somos iguais, seja entre yetis, entre humanos, ou na relação entre as duas espécies. É bonito ver a amizade de Migo e de Percy, o smallfoot, florescer e, apesar de falarem línguas distintas, se entenderem tão bem desde o primeiro momento - vá, um pouco depois dos primeiros momentos. Tem momentos para rir, momentos para chorar e momentos para refletir como qualquer bom filme de animação e uma das boas surpresas que tive a nível cinematográfico nos últimos tempos.
- TRAILER AQUI -
THE PRINCESS SWITCH
E, para abrir a quadra natalícia, decidi começar com um dos novos lançamentos da Netflix que tem como protagonista a por muitos adorada Vanessa Hudgens. Este filme conta a história de Stacy De Novo, uma pasteleira ambiciosa de Chicago, obcecada por organização e regras que, incentivada pelo seu colega de trabalho, decide participar no maior concurso de pastelaria do reino de Belgravia. Aqui, Stacy conhece a futura princesa do reino que, por coincidência, é a sua cara e que faz uma proposta irrecusável - e assim começa a aventura. Não tinha grandes expectativas quanto a este filme, por ser um daqueles clichês mais do que vistos e essas expectativas foram igualadas. Não tem uma história diferente do costume, não tem nenhum plot twist que não seja previsível e não demonstra grande talento seja na representação, na direção, figurinos ou até na banda sonora. No entanto, é um daqueles filmes perfeitos para um domingo preguiçoso, em que não queremos pensar muito e em que queremos passar um bom bocado enrolados numa mantinha com a nossa família ou amigos.
Já viram algum destes filmes? Ficaram com curiosidade de ver algum deles?
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Séries // Shameless
Já vos falei diversas vezes da dificuldade que tenho em riscar séries da minha lista de séries a ver porque, de cada vez que procuro algo novo e com qualidade, acabo sempre por me deixar levar pelas séries mais leves, mais simples ou que sejam recentes. O constante surgimento de novas séries faz com que bons clássicos fiquem para trás e acabem por cair no esquecimento, mesmo que não seja intencionalmente. No entanto, desta vez não me deixei sucumbir pela vontade de ver algo irrelevante e decidi riscar Shameless da minha watchlist - e bendito o dia em que o fiz.
Esta série conta a história da disfuncional família Gallagher, composta por Frank, o pai alcoólatra, lunático e sempre metido nalgum tipo de problema e os seus 6 filhos - Fiona, Lip, Ian, Debbie, Carl e Liam - e de como estes sobrevivem ao seu dia-a-dia sem qualquer supervisão parental, com a falta de dinheiro ao longo do mês para pagar as contas da casa e com todo o drama inerente ao facto de viverem no South Side - a pior zona de Chicago.
As personagens desta série são das mais ricas que já vi, por terem mil camadas, mil facetas e uma bagagem emocional incontestável. A vida dos Gallagher nunca foi fácil, e nunca o será, apesar das personagens batalharem nesse sentido e muitas vezes ao longo da trama sermos enganados a acreditar que sim. Esta é uma série que pega em todo o tipo de tragédia e a trabalha de uma forma humorística - atenção que não é um humor saudável mas sim daqueles que nos corrói o coração ao longo do tempo. Trata a realidade da classe trabalhadora baixa, uma realidade de pobreza, de abandono parental e de negligência e temáticas importantes como a homossexualidade, a gravidez na adolescência, o mundo das drogas, o alcoolismo, a mudança de género ou a adopção com uma leveza e uma simplicidade que nunca antes tinha visto. Sim, as situações são exageradas. Sim, é tudo levado a um extremo. Mas mostra uma realidade pela qual muita gente passa e que, por vezes, nem temos noção.
Se tivesse que escolher uma personagem favorita, escolheria o Frank. Partilhando o holofote como personagem principal com os demais, é o progenitor desta família, um alcoólico, vigarista nato e inteligente como ninguém. É daquelas personagens tão odiáveis que acabamos por gostar, porque começamos a imaginar o que terá tornado aquela pessoa tão má assim. A sua capacidade de se meter nos mais loucos esquemas, a sua perspicácia para angariar dinheiro e o seu desejo por aventura constante conquistam qualquer um, seja pela positiva ou pela negativa. Para além dele, a docura camuflada do Carl e o romance inesperado e bruto entre o Ian e o Mickey derrete o meu coração de cada vez que aparecem no ecrã. São realmente personagens bem conseguidas, com uma narrativa inteligente e muito trabalhada, que nos fazem viver a sua história, sentir as suas frustrações e gritar com o ecrã quando fazem algo errado - o que, acreditem, acontece demasiadas vezes. O guião está escrito de uma forma excelente, fazendo a classificação da série saltitar entre o drama e a comédia de uma forma subtil. Além disso, e uma vez que a série tem um total de 9 temporadas, podemos ver as personagens crescer, desenvolverem as suas personalidades e serem protagonistas das suas próprias intrigas. Isto torna a série muito mais dinâmica e cativante, porque existe sempre algo de novo a acontecer, sempre surpreendente e ainda mais dramático que no episódio anterior - como uma boa série assim exige.
É impossível não mencionar a qualidade do elenco desta série. A personagem de destaque, Frank, é interpretada de uma forma absolutamente soberba pelo William H. Macy - se não acreditam, saibam que ganhou 4 prémios e inúmeras nomeações pelo papel - e que demonstra uma qualidade ímpar como actor que se destaca dos demais. A intensidade com que a personagem é guiada através da expressão de homem trabalhador do actor é de louvar e mostra uma escolha inteligente de elenco por parte da produção. Para além dele, posso ainda parabenizar a actriz que interpreta a personagem de Fiona, Emmy Rossum que, apesar de, para mim, não se encontrar ao mesmo nível, não deixa de tornar a série naquilo que ela é e demonstrar grande capacidade performativa ao longo dos mais de 10 anos de gravações. Esta não é uma produção que exija grande figurino ou efeitos especiais, mas os cenários utilizados são muito adequados à realidade da narrativa e as escolhas sonoras inteligentes e adequadas a cada vivência da trama. Uma série que eu sabia que não me iria desiludir e que passou imediatamente para a minha lista de séries a recomendar para qualquer pessoa. Uma comédia pesada, real e bastante diferente daquilo que se encontra no grande ecrã!
"I trust you. That's bigger to me than I love you"
Já viram Shameless? Gostam desta série?
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